A pergunta aparece de duas formas opostas. Uns querem contratar antes de ter arquitetura, achando que assim adiantam. Outros deixam para depois do executivo de arquitetura pronto, achando que assim evitam retrabalho. As duas escolhas custam, e por razões simétricas.
Por que cedo demais não funciona
Os complementares partem da arquitetura. Sem definição de onde ficam paredes, shafts, forros, aberturas e a distribuição dos ambientes, não há onde lançar prumadas, não há circuito para dividir por ambiente, não há carga de alvenaria para informar à estrutura.
Começar com a arquitetura em estudo preliminar muito aberto significa modelar sobre hipóteses que vão mudar. O trabalho é feito e refeito, e o cliente paga duas vezes pela mesma coisa.
Há exceções: em terrenos complexos, a sondagem e um pré-dimensionamento estrutural podem — e às vezes devem — vir antes, porque influenciam a própria implantação.
Por que tarde demais custa mais
O cenário mais comum é aguardar o executivo de arquitetura estar concluído. A lógica parece boa: partir de algo definitivo. O problema é que, nesse ponto, as decisões de arquitetura foram tomadas sem que ninguém verificasse se elas comportam as instalações.
O forro foi definido com altura que não acomoda o cruzamento de dutos e tubulações. Não há shaft previsto onde as prumadas precisam descer. O ponto de água ficou em uma parede que a estrutura resolveu como pilar. O reservatório foi posicionado sem que a laje soubesse do peso.
Cada um desses itens vira revisão da arquitetura já detalhada — ou, mais frequentemente, vira solução improvisada em obra, porque refazer o executivo de arquitetura a essa altura parece pior.
A janela
O momento mais produtivo para começar é quando a arquitetura está em anteprojeto: partido definido, distribuição de ambientes resolvida, volumetria estabelecida, mas ainda sem o detalhamento fino.
Nesse estágio existe informação suficiente para dimensionar e ainda existe liberdade para ajustar. Se as prumadas precisam de um shaft, ele é criado agora, quando ainda é uma linha no desenho. Se a estrutura pede um pilar em posição inconveniente, discute-se o rearranjo antes de a planta estar consolidada.
O ganho não é apenas evitar retrabalho: é que a arquitetura final incorpora as necessidades das instalações em vez de conviver com elas.
O que precisa estar pronto para começar
Na prática, o mínimo é: planta baixa com a distribuição definida, cortes indicando pé-direito e níveis, implantação no terreno, uso previsto de cada ambiente e uma noção dos equipamentos que serão instalados.
Para a estrutura, acrescente a sondagem do terreno. Para o elétrico, a cidade da obra — por causa da norma da distribuidora. Para o SPDA, a localização também importa, por causa da densidade de descargas.
Nada disso exige o executivo de arquitetura concluído.
O caso das reformas
Em reforma, a ordem muda um pouco. É necessário levantar o existente antes de projetar: o que há de instalação, por onde passa, qual a estrutura e em que estado. Um levantamento cadastral bem-feito evita a situação clássica de descobrir uma prumada dentro da parede que seria removida.
Quando há ampliação, a fundação e a estrutura existentes precisam ser avaliadas — elas foram dimensionadas para a carga antiga.
Uma consequência de cronograma
Vale considerar que aprovação leva tempo que não depende do projetista. A análise da concessionária de energia e a do Corpo de Bombeiros têm prazos próprios, e reapresentação é comum.
Contratar os complementares no momento certo não adianta apenas o projeto: adianta o início dessa fila. É frequente que a obra esteja pronta para começar e fique esperando uma aprovação que poderia ter sido protocolada meses antes.