"Quanto custa o projeto elétrico?" é a pergunta mais frequente e a mais difícil de responder sem informação. Não por evasiva comercial: é que o mesmo enunciado abriga trabalhos de porte completamente diferente. Um projeto elétrico de uma residência de 120 m² e um de um galpão industrial com subestação são o mesmo item de contrato e não são o mesmo serviço.
O que se pode fazer com honestidade é explicar o que forma o preço.
Porte e complexidade
Área construída é o primeiro parâmetro, mas sozinho engana. Um galpão de 2.000 m² com um único ambiente tem menos pontos, menos circuitos e menos interferências do que um edifício de 800 m² distribuído em quatro pavimentos com dezenas de ambientes. O que pesa é a quantidade de elementos e de decisões, não o metro quadrado.
Complexidade também entra por outros caminhos: número de pavimentos, existência de subsolo, sistemas especiais, equipamentos que exigem infraestrutura própria.
Uso da edificação
O uso muda o conjunto de normas aplicáveis e o rigor da análise. Residencial, comercial, industrial, institucional, saúde e educação têm exigências distintas — e as edificações de saúde, em particular, respondem a requisitos bastante específicos.
Uso também determina quais órgãos vão analisar o projeto, o que se traduz em horas de preparação de documentação e de acompanhamento de processo.
Escopo: o item que mais varia entre propostas
Aqui está a maior fonte de comparação injusta entre orçamentos. Duas propostas para "projeto hidrossanitário" podem incluir coisas muito diferentes.
Inclui só água fria, ou também água quente, esgoto e pluvial? Inclui o dimensionamento de reservação? Inclui o acompanhamento da aprovação, ou apenas a entrega das pranchas? Inclui modelagem BIM e participação nas rodadas de compatibilização, ou apenas o desenho 2D da disciplina? Inclui memorial de cálculo? Inclui quantitativos? Inclui quantas revisões?
Uma proposta mais barata frequentemente é mais barata por conter menos — o que é legítimo, desde que se saiba. Comparar preço sem comparar escopo é comparar números sem unidade.
Nível de informação do modelo
Em projetos desenvolvidos em BIM, o nível de desenvolvimento adotado tem impacto direto no esforço. Modelar em nível suficiente para compatibilizar e orçar é um trabalho; modelar em nível de fabricação e montagem é outro, bem maior.
É por isso que definir o uso pretendido do modelo antes de contratar não é preciosismo: é o que evita pagar por informação que não será usada, ou receber informação insuficiente para o uso planejado.
Localização
A cidade da obra afeta o trabalho por causa das exigências locais: norma da concessionária que efetivamente atende, procedimento da prefeitura, regras do Corpo de Bombeiros do estado, parâmetros climáticos de projeto. Atender uma obra em outro estado é perfeitamente viável — o desenvolvimento é remoto —, mas exige levantar e aplicar o conjunto correto de exigências.
O que costuma encarecer no meio do caminho
Três situações respondem pela maior parte dos aditivos em projeto.
A primeira é mudança de arquitetura depois da compatibilização. Não é má-fé de ninguém: é o custo real de revisar tudo que dependia daquela decisão.
A segunda é informação que chega errada ou tarde. Um equipamento não informado, uma população subestimada, um uso que muda depois do dimensionamento — cada um obriga a refazer parte do cálculo.
A terceira é exigência de órgão que não estava mapeada. Descobrir na análise que a prefeitura pede um documento adicional, ou que o Corpo de Bombeiros exige um sistema não previsto, empurra escopo para dentro do projeto.
A comparação que importa
O projeto é uma fração pequena do custo total da obra. A conta relevante não é quanto ele custa isoladamente, e sim quanto custa a obra com ele e sem ele — considerando retrabalho evitado, compra de material baseada em quantitativo confiável em vez de estimativa, e ausência de decisões improvisadas no canteiro.
É a fase mais barata de toda a obra para mudar de ideia. Depois dela, mudar de ideia tem nome: demolição.